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domingo, 16 de agosto de 2009

Desmascarando a igreja Universal (1.1)

Este foi, por enquanto, o último capítulo por parte do Jornal Nacional:


Enquanto isso, o vídeo em que o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, condenava a guerra midiática e a corrupção moral da igreja Universal e da Rede Record voltou como hit da Internet.

"Como é que uma igreja investe milhões numa TV só pra ganhar audiência? Todo tipo de imoralidade numa TV bancada com dinheiro de oferta e de dízimo?", diz Malafaia durante o vídeo.

"Eu estou aqui abismado, e a igreja evangélica está sendo botada em uma guerra em que nós não temos nada com isso. Lá atrás, quando eu defendi vocês, nós tínhamos um ideal, porque a outra emissora era imoral, era contra a família, e qual é a diferença hoje?", continua o pastor.

Malafaia ainda aproveitou o vídeo para mandar um recado pessoal para Edir Macedo, líder da Universal. "Vou te dizer... Lúcifer, Satanás... Eles caíram por três motivos, irmão: soberba, multiplicação do seu comércio e poder. Estou vendo a história se repetir com vocês."



Publicado por Thyago Mathias

sábado, 15 de agosto de 2009

Desmascarando a igreja Universal (0.8 e 0.9)

Para entender a origem da guerra entre Comunicação e Religião que se instalou a partir da disputa de audiência entre as duas principais emissoras de TV do país!

Os dois vídeos mostram o início da cobertura jornalística no Jornal Nacional, que pode até não ser isenta, mas certamente se apóia em fatos do presente e levados à Justiça. Aliás, não está só na Globo não. Está na Globo, no Estadão, na Veja, na Folha de S. Paulo e em todos os órgãos de imprensa com uma história respeitável neste país.



Jornal Nacional do dia 11 de agosto de 2008


Jornal Nacional do dia 12 de agosto de 2008

Publicado por Thyago Mathiasão e fé, Ações e repercussões,

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

91% de aprovação: Mas quem é rei, não precisa de pesquisa de opinião

Da revista Isto é
Luiza Villaméa

Desde que ascendeu ao trono do Marrocos, o rei Mohammed VI vem liderando um processo gradativo e contínuo de mudanças. A mais visível delas afetou diretamente as mulheres, que ganharam o direito ao divórcio e, na legislação, deixaram de ser consideradas inferiores aos homens. Por iniciativa do monarca, a poligamia também foi banida do país. Aos 45 anos, Mohammed VI planejou comemorar com pompa e circunstância sua primeira década de reinado, recém-completada. Antes de começar os festejos, concedeu indulto a 40% da população carcerária do país, medida que beneficiou quase 25 mil pessoas. No auge da festa, durante o tradicional discurso do trono, ele se declarou empenhado em continuar sua política de modernização e antecipou que pretendia realizar uma "profunda reforma da Justiça". Aclamado nas ruas - onde chegou a desfilar a cavalo -, Mohammed VI mostrou uma outra faceta quando ousaram fazer uma pesquisa sobre o seu reinado.

O triste fim da festa real ocorreu na manhã do sábado 1o de julho, quando a polícia invadiu em Casablanca a gráfica que acabava de imprimir a revista marroquina "TelQuel", editada em francês, e sua versão em árabe, a "Nichane". Cem mil exemplares das publicações foram apreendidos e destruídos porque, esclarece nota do Ministério do Interior, é proibido "atentar contra a religião muçulmana, a monarquia e a integridade territorial". Diante da repercussão da medida, o ministro da Comunicação, Khalid Naciri, não demorou a deixar ainda mais clara a posição do governo. "A monarquia não pode ser objeto de debate nem por meio de sondagem", afirmou Naciri.

Ninguém nem sequer discutiu os resultados da pesquisa, altamente favoráveis a Mohammed VI. De acordo com levantamento feito pelo LMS-CSA, filial marroquina do instituto de pesquisas francês CSA, 91% dos entrevistados classificam os dez anos do reinado de forma positiva ou muito positiva. No país, com 32,4 milhões de habitantes, 75% dos entrevistados têm como sagrada a figura do monarca, que é considerado descendente direto de Maomé. Em relação à economia do Marrocos, que vem crescendo a um ritmo entre 4% e 5% desde que Mohammed VI assumiu o poder, também não há críticas, embora o próprio rei tenha como uma de suas metas diminuir a desigualdade social entre os súditos.

Para 83% dos entrevistados, os negócios privados do monarca, que correspondem a 6% do produto interno bruto do país, favorecem a economia marroquina. Em sintonia com as riquezas naturais do país, que abriga dois terços das minas de fosfato do mundo, Mohammed VI investe principalmente na extração e exportação do produto, fundamental para a produção de fertilizantes agrícolas. Formado em direito e em relações internacionais, com doutorado pela universidade francesa de Nice, Mohammed VI nunca fala sobre fosfato. A venda do produto, no entanto, garante a ele o sétimo lugar no ranking da "Forbes" entre os mais ricos da realeza (leia quadro). E, no ano passado, quando todos amargavam em milhões seus prejuízos por causa da crise econômica mundial, o monarca marroquino foi o único do grupo a aumentar sua fortuna - de US$ 1 bilhão para US$ 2,5 bilhões - devido à venda de commodities.

O ponto que registra maior discordância entre o rei e seus súditos é justamente o mais caro a Mohammed VI: o novo código da família (Moudawana), aprovado em 2004, que confere maior liberdade às mulheres. Na contramão do formidável patamar de aprovação geral do monarca, a metade dos entrevistados acredita que ele foi longe demais na liberação feminina, enquanto só 16% defendem que ele avance mais na concessão de direitos às mulheres. Esses resultados foram publicados pelo jornal francês "Le Monde", que tinha parceria com as publicações marroquinas na contratação da pesquisa e também teve a circulação proibida no reino. O site da "TelQuel", por sua vez, anuncia apenas estar sob censura. Na capa original, Mohammed VI aparece em trajes ocidentais, com um título que provocou sua indignação: "O povo julga seu rei".

Essa foi a primeira pesquisa sobre um governante no Marrocos desde 1956, quando o país tornou-se independente da França e, na sequência, o avô de Mohammed VI proclamou-se rei. Cinco anos depois, o pai do atual monarca assumiu o trono e adotou poderes ditatoriais. Quando morreu, em 1999, as masmorras marroquinas somavam oito mil prisioneiros políticos. Mohammed VI libertou todos eles e imprimiu um caráter mais democrático à sociedade. Sua mulher, Kalla Salma, engenheira por formação, até aparece em público, algo que jamais ocorreu com sua mãe. Como o pai, até a semana passada ele aparentemente era irredutível só com os separatistas do Saara Ocidental, que têm o apoio da vizinha Argélia. O cenário mudou.

Publicado por Thyago Mathias

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Desmascarando a igreja Universal (1)



Ninguém é completamente inocente nesta história, mas ver a igreja do Edir Macedo e seus asseclas utilizando a Ana Paula Padrão para se defender e ainda mostrar seus "pastores" voando em jatos de luxo, como se isso fosse a coisa mais normal, pareceu cinismo demais pra mim. Permaneço enojado.

De qualquer maneira, muitos vídeos já desmascararam a turma do Edir e até hoje... o que aconteceu? Nada? É, parece que não. O faturamento deles já chegou a uma média de 2 bilhões de reais por ano e a maioria das pessoas que contribuem pra isso nem sonham em saber o que é um jatinho e se ele é realmente necessário pra levar a palavra da seita para o interior do país...

Enfim, em um país acossado por Sarneys e Dilmas, onde Collors e Renans posam como galardões da verdade e uma ministra está cansada de ser pega na mentira (currículo Lattes, reuniões secretas, bancos de dados do FHC), tudo parece normal. Acho que 1984 nunca esteve tão presente. É a novilíngua! E eu... tenho cada vez mais medo de achar que eles todos falam a verdade. Parece que sou eu mesmo que vivo de mentiras... o que é verdade e o que é mentira? Já não se sabe mais.

Publicado por Thyago Mathias

domingo, 9 de agosto de 2009

Dilma, tremei...

Da coluna de Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo

A ministra Dilma Rousseff colheu o que plantou. Tinha mestrado pela Unicamp, mas não tinha. Disse a um grupo de empresários paulistas que o governo coletava despesas de Fernando Henrique Cardoso ao tempo em que estivera no Planalto e, semanas depois, convenceu-se que tudo não passava de um 'banco de dados'.

Isso num governo em que não houve nada parecido com o mensalão, no qual José Sarney não é 'uma pessoa comum'.

Agora a ministra está numa enrascada. É a palavra dela contra a da ex-secretária da Receita Lina Vieira, bacharel em direito pelo Mackenzie de São Paulo, com 33 anos de serviço público.

Durante os 11 meses em que ela ficou no cargo, deixou uma frase inesquecível. Referindo-se aos festins de parcelamento e perdão de dívidas de sonegadores, disse que "o bom contribuinte se sente um otário".

Passado um mês de sua demissão, o governo ainda não ofereceu uma explicação que faça nexo e mereça respeito.

Numa entrevista aos repórteres Andreza Matais e Leonardo Souza, Lina Vieira disse que, no final do ano passado, a ministra Dilma perguntou-lhe 'se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney'.

A então secretária entendeu que a ministra estava interessada em 'encerrar' a investigação.

(Trata-se de uma blitz nas contas do Sarneystão, que já resultou 17 ações fiscais, atingindo 24 pessoas e empresas, entre elas Fernando Sarney, que já foi indiciado em inquérito da Polícia Federal. Não há notícia de que a Receita tenha lavrado alguma autuação como consequência dessa devassa).

Dilma Rousseff desmente: 'Encontrei com a secretária da Receita várias vezes e com outras pessoas junto em grandes reuniões. Essa reunião privada a que ela se refere, eu não tive'.

Uma das duas está mentindo. Caso para os sapos de Manuel Bandeiraa:

'Meu pai foi rei! Foi!'

'Não foi! Foi!'

A denúncia da ex-secretária ampara-se numa insinuação. Admitindo-se que houve o encontro e, nele, o pedido, 'agilizar' não significa 'encerrar'.

Tanto é assim que, em setembro de 2007, durante a administração do doutor Jorge Rachid, um juiz federal exigiu que a Receita apressasse seu trabalho. Como até hoje não se sabe por que Lina Vieira foi mandada embora, a insinuação merece o benefício da suspeita.

A ministra e a ex-secretária podem mostrar à choldra que farão um esforço para desmascarar a mentira. Por enquanto, falta base material ao testemunho de Lina Vieira.

Ela não lembra a data do encontro com Dilma Rousseff e acredita que poderá consultar suas agendas ao desencaixotar a mudança que mandou para o Rio Grande do Norte.

Tomara que consiga, porque o registro de encontros como esse faz parte da boa prática da administração pública. Fica combinado que não se pode exigir de Dilma Rousseff a prova de que não se encontrou com Lina Vieira.

Pela narrativa da ex-secretária, a conversa aconteceu no Palácio do Planalto. Mesmo na hipótese absurda de não haver registro em qualquer das duas agendas, haverá pelo menos algum vídeo da chegada de Lina Vieira à Casa Civil.

Ela conta que entrou pela garagem. Novamente, deve haver registro. O encontro, pedido pela secretária-executiva (põe executiva nisso) Erenice Guerra, deveria ser 'sigiloso'. Sigiloso é uma coisa, clandestino, bem outra".

Publicado por Thyago Mathias

Para além do verde

Da coluna de Míriam Leitão, em O Globo

Espaço existe. Pode aparecer uma candidatura ou um programa de governo que vão além da mesmice dos potenciais candidatos a presidente em 2010. Marina Silva pode ou não ser essa pessoa, mas, ao surgir, ajuda a vislumbrar como pode ser verde o eixo de uma campanha. Hoje, a questão ambiental virou climática, ganhou dramaticidade, urgência e transbordou. Foi além do verde.

Pode ser outra candidatura, ou uma transformação convincente de um atual candidato. Mas espaço existe. Hoje, o desafio posto sobre o planeta e sobre o Brasil é como construir a saída da crise ficando diferente; como injetar dinamismo na economia por mudar o modelo. Isso leva a programas transformadores e escolhas novas em todas as áreas. O desafio climático atingiu o patamar de dar coerência a um novo programa de desenvolvimento.

O desenvolvimentismo do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) tem vários problemas. O mais grave dele é ser velho. Ele ecoa ainda um "governar é abrir estradas", do mais remoto e arcaico Brasil; recorda a ideologia dos "projetos de impacto" do governo Médici. Não há, nunca houve, no programa de obras com o qual a possível candidata Dilma Rousseff pretende concretar sua subida pela rampa do Planalto, a menor sombra de atualidade. É impossível conciliar a esta altura o carro-chefe da ministra Dilma com o crescimento sustentável. Eles são opostos.

Um exemplo: a BR-319 tem sido defendida com o mesmo autoritarismo e falta de sentido da Transamazônica do governo militar. Não se sabe por que fazer a estrada, não se conhece estudo de modal alternativo, nem de viabilidade econômica. A ideia é apenas rasgar a floresta, num ponto nevrálgico, para levar as hordas de sempre de grileiros, especuladores, que abrirão novas cidades, que viverão dos repasses da União e repetirão a tragédia de atraso e violência. Está sendo usada a mesma técnica de pôr o Exército, como se fosse uma empreiteira, para tocar a obra enquanto a licença não vem. É a estratégia do fato consumado usada na transposição do Rio São Francisco. Dilma ainda vê o ambientalismo como inimigo a ser derrotado.

O dilema hamletiano da oposição tucana se agrava. O ser-não-sendo-candidato do governador de São Paulo, José Serra, tem vários defeitos. O pior deles é deixar espaço vazio, o que em política pode ser fatal. Se Serra tem uma ideia na cabeça, se ele tem um programa diferente, não se sabe. Ele vai disputar a mesma embalagem de bom gerente na qual se enrola a ministra da Casa Civil. Com uma vantagem: Serra já testou com sucesso o modelo da pessoa que faz acontecer em vários níveis de governo, em vários cargos. A Dilma é mais recente nesta vestimenta e tem contra si as evidências dos erros gerenciais do governo e as estatísticas de baixo desempenho do PAC. Se o candidato tucano for o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ele também, até agora, mostrou que quer disputar o modelo do bom gerente com obras a apresentar. A grande divergência que Serra tem com o governo é a política cambial e monetária. A mesma que tinha quando as bases dessa política foram implantadas no governo tucano. Isso já era velho em 2002 e apequena qualquer campanha.

Houve um tempo em que o verde era apenas verde e o tema só fazia sucesso no gueto. Hoje, mudou radicalmente o conceito de progresso. Hoje, ele se desdobra em várias áreas: uma política externa que dará ao Brasil liderança na questão climática; uma política econômica de desenvolvimentismo moderno que mude a forma de produzir e usar energia; novas escolhas nos financiamentos públicos; na transformação da indústria. Significa ainda mudança de comportamentos; investimentos maciços em ciência e tecnologia; novos eixos da política de saúde pública; uma educação voltada para o que será exigido no futuro que começa agora, um mercado de trabalho que criará empregos ligados a novas tecnologias de energia e produção.

Uma proposta de governo que trate a questão climática-ambiental com a seriedade devida terá de enfrentar a falta de respeito à lei na Amazônia e isso será um avanço civilizatório. O combate ao atraso de uma parte do agronegócio abrirá novos mercados ao Brasil. O verde pode ser o veio central de uma proposta coerente em todas as áreas e atualizada com o que de mais moderno se conversa no mundo. O conhecimento do assunto se aprofundou tanto que os candidatos que usarem o nome da "sustentabilidade" em vão serão desmascarados como impostores. Não há clima para improvisos e maquiagem.

Se a senadora Marina Silva (PT-AC) for a candidata deste programa tem muito a fazer. Primeiro, precisa ir além da própria origem. Os passos que a levaram à militância política partiram do extrativismo. Isso é pequeno. Não dá nem para o começo da construção de um programa robusto. Precisará absorver o que está acontecendo no mundo e terá sim "enfrentamento". Inevitável. O Brasil atrasado e arcaico está em plena ofensiva contra o meio ambiente, como a própria senadora denunciou na aprovação da MP da grilagem. Não há composição possível com quem acha natural um programa decenal de energia que prevê 82 termelétricas a combustível fóssil. É preciso denunciar o que já caducou, contrariar interesses, enfrentar o velho.

Essa possibilidade pode não ser percebida pelos partidos que estão muito ocupados com as cenas de pugilato verbal e de degradação em que se transformou o ambiente político. Se a questão climática não tiver a atenção que merece, o Brasil terá uma campanha eleitoral, na segunda década do século XXI, discutindo ainda o século XX.

Publicado por Thyago Mathias

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Programa de domingo: corais na Candelária

A temporada 2009 do Projeto Candelária apresenta a série Melodia 2009 - Coros, com apresentação dos coros Atlanta Young Singers of Callanwolde (EUA) e The Duke of Cornwall Singers (África do Sul), às 4pm do domingo 26 de julho.

O repertório inclui obras de Haydn, Handel e Mendelssohn, entre outros.

Publicado por Thyago Mathias

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lavanderia Lula

O excelente comentário de Ricardo Noblat reabre merecidamente as atualizações deste blog. A propósito do que segue reproduzido abaixo, vale lembrar a frase do presidente americano Abraham Lincoln, de origem tão ou mais pobre quanto o nosso Lula: "É possível enganar a todos por algum tempo, é possível enganar alguns por todo o tempo, mas não é possível enganar a todos o tempo todo". Vamos conferir por quanto tempo o povo brasileiro se deixa enganar...

Pra quem já foi a "anta" de um polemista brasileiro, Lula também pode ser um dos nossos personagens.


Do Blog do Noblat

O senador Antonio Carlos Magalhães inaugurou a Lavanderia Lula.

Em 2003, acusado de grampear telefones de adversários políticos na Bahia, correu o risco de ser julgado pelo Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro. Apoiara a eleição de Lula um ano antes.

Lula retribuiu salvando-lhe o mandato. Desde então a lavandeira é um sucesso.

O que Lula fez por ACM não impediu que os dois quase saíssem no tapa anos mais tarde.

ACM sentiu seu império baiano ameaçado pelo PT de Jacques Wagner. Soltou os cachorros em cima de Lula. Que respondeu chamando-o de rato e suando a camisa para eleger Wagner.

Os dois só voltaram a se encontrar quando ACM estava em um hospital de São Paulo a poucos dias de morrer. Lula fez questão de visitá-lo.

Entre ACM e José Sarney (PMDB-AP), o mais recente freguês da lavanderia, Lula meteu as mãos em muito pano sujo.

O êxito dele não consiste em transformar pano sujo em pano imaculado. Por ora, ainda não opera milagres. Amanhã, nunca se sabe.

Mas Lula sempre tenta dar um jeito de impedir que pano encardido acabe jogado no lixo por imprestável. Na maioria das vezes é bem-sucedido.

Lula não discrimina entre aliados fiéis, aliados nem tão confiáveis assim, adversários moderados e adversários históricos.

Se vir alguma vantagem em enxaguá-los até que recuperem parte da pureza perdida ou se livrem de nódoas comprometedoras, ele se entrega à tarefa com gosto.

Do controverso Roberto Jefferson, na época presidente do PTB, Lula disse que se tratava de um homem a quem daria um cheque em branco.

O homem merecedor de tamanha prova de confiança deflagrou o escândalo que quase derrubou o governo.

Em meio ao escândalo, informado sobre a disposição do publicitário Marcos Valério de contar tudo o que sabia, um Lula alterado por algumas doses a mais de bebida chegou a falar em renúncia.

Foi um Deus nos acuda. Lula só sossegou quando lhe garantiram que Valério estava sob controle. Está até hoje.

Procurem algo de duro dito depois por Lula a respeito de Jefferson. É possível que encontrem um elogio.

Nada encontrarão contra José Dirceu, apontado pelo Procurador Geral da República como o chefe da “sofisticada organização criminosa” que quis se apoderar de parte do aparelho do Estado.

Lula escalou Dirceu para pagar a conta do mensalão. Para compensar, lava a biografia do amigo toda vez que julga necessário.

Foi quase pedindo desculpas públicas a Antonio Palocci que Lula o demitiu do Ministério da Fazenda forçado pelo caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira.

Palocci jurou diante de uma CPI que jamais frequentara certa mansão suspeita de Brasília.

O caseiro jurou tê-lo visto por lá uma dezena de vezes. Lula chamou Palocci de “meu irmão”. E sonha com o dia de tê-lo de volta no governo.

E o “nosso Delúbio”, hein?

E Romero Jucá que ofereceu fazendas inexistentes como garantia de um empréstimo tomado em banco oficial? Lula saiu em defesa dos dois.

Ficou rouco de repetir: “Ninguém é culpado até ser condenado pela Justiça”.

Ao pé da letra, de acordo. Mas o que se espera de um presidente não é o mesmo que se espera de um juiz. Presidente deve satisfações à sociedade. Juiz, somente à sua consciência.

Um mau exemplo dado por um juiz nem de longe equivale a um mau exemplo dado pela pessoa mais observada e admirada pelos brasileiros.

Foi um bom exemplo o empenho de Lula em manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado? Quase conseguiu.

Lula dá um bom exemplo quando chama Sarney de “pessoa incomum” e obriga o PT a sustentá-lo no cargo?

A Lavanderia Lula presta inestimáveis serviços ao seu fundador e único dono, e também aos que dela precisam.

Mas bem não faz – pelo contrário - ao avanço entre nós de uma prática política decente e justa, capaz de atrair gente interessada em servir à coisa pública, e não em se servir dela.

Essa será a herança maldita de Lula.

Publicado por Thyago Mathias